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Deh Wine

SEP 20, 2017

Paisagens sonoras e delírios musicais da banda Quarto Ácido

Entrevista com Pedro Paulo, guitarrista da banda Quarto Ácido.

Nos últimos tempos tenho conhecido ótimas bandas vindas de terras gaúchas, e nessa leva sem dúvida nenhuma está incluído o power trio instrumental Quarto Ácido.

Originária da pequena Panambi, cidade no noroeste do Rio Grande do Sul, a Quarto Ácido - hoje composta por Pedro Paulo Rodrigues na guitarra, Alex Przyczynski na bateria e Vinícius Brum no baixo - já possui dois EPs e está lançando agora seu novo projeto.

Viabilizado através de uma campanha de financiamento coletivo, o disco Paisagens e Delírios é o primeiro álbum completo da banda e será distribuído pelo selo Abraxas. O trabalho explora sonoridades de inspiração setentista e elementos de stoner e post-rock, alternando entre momentos mais serenos em que você fecha os olhos e deixa a melodia embalar e explosões sonoras que provocam automaticamente o movimento de bate-cabeça.

Para que conheçam melhor a Quarto Ácido e se prepararem para esse lançamento, compartilho com vocês o bate-papo que tive com Pedro Paulo, o guitarrista da banda.

Aline: Oi, Pedro! Obrigada por conversar com a gente! 
Eu queria muito não soar clichê e fazer só perguntas originais, mas algumas questões são inescapáveis, então vou aceitar e vou a elas. Primeiro: Como vocês se conheceram e como a banda começou? 
Pedro Paulo: Olá Aline, obrigado a você e ao BDG pelo espaço. Nos conhecemos em 2008, Alex, Flavio e eu havíamos tocado em diferentes bandas de rock na cidade de Panambi/RS e tínhamos alguns amigos em comum. Juntos fizemos algumas jams e participamos de projetos musicais, até que em 2011 assumimos o formato instrumental e começamos a trabalhar em composições autorais.
Já o Vinícius, atual baixista, é um músico e amigo de longa data, ele aceitou o nosso convite e entrou para a banda após o falecimento do Flávio, em 2015.
       
Aline: A gente tem visto ultimamente uma leva de ótimas bandas de rock instrumental. O que você acha que pode ter influenciado esse movimento? A ideia de vocês desde o início foi fazer som instrumental?
Pedro Paulo: Acredito que as pessoas estejam quebrando alguns paradigmas e deixando de classificar o instrumental somente como “música para músico”. A música instrumental abre um leque de possibilidades para músicos e ouvintes, essa liberdade e diversidade motiva e impulsiona a cena, na minha opinião.
Para nós, fazer som instrumental não foi a primeira opção, esse caminho foi se mostrando naturalmente nos ensaios e jams, e após algum tempo tudo se encaixou.   

Aline: Como vocês sentem que é a recepção do público à música instrumental? Aquela tia ainda pergunta onde está o cantor? 
Pedro Paulo: Nos festivais, onde o público geralmente está a procura de novas experiências, a recepção é excelente. Existem situações onde algumas pessoas sugerem um vocalista para a banda "fazer sucesso", é muito comum essa conversa. Para elas explicamos que a nossa intenção é deixar a música "falar" através dos ritmos, harmonias e melodias, e que não nos interessa mudar o formato para se ajustar aos padrões do mercado musical. 

Aline: Além dos clássicos, alguma banda da cena nacional atual figura entre as influências de vocês?
Pedro Paulo: Existem várias referências. Na cena instrumental, Pata de Elefante e o Macaco Bong. Fora dela, Rinoceronte, Munõz, Quarto Astral, entre outras.  

Aline: O disco que estão lançando agora é o primeiro disco completo de vocês. Fala um pouco sobre ele pra gente. Como ele se desenvolve em relação aos trabalhos anteriores da banda? 
Pedro Paulo: O disco foi viabilizado através de uma campanha de crowdfunding que lançamos no final de 2016. O objetivo principal deste trabalho é homenagear e dar forma física as ideias e composições remanescentes do Flavio. É claro que outras ideias e composições foram somadas no processo de pré-produção, assim como as participações especiais dos músicos Adriano Zuli (teclado e sintetizador), Rodrigo Fetter (teclado), Edmilson Dias (percussão) e Maurício Oliveira (sax). A produção é assinada por Leo Mayer, com quem a banda já havia trabalhado nos singles anteriores, um profissional que depositamos toda a confiança e que vem lançando ótimos trabalhos.
 
Aline: Os dois EPs anteriores tinham o nome de Volume I e Volume II. O novo trabalho vem com o título de Paisagens e Delírios. De que maneira o nome reflete o momento e as inspirações da banda?
Pedro Paulo: Paisagens e Delírios é o nome de um blog onde o Flavio publicava contos e textos sobre temas que ele achava interessante. É muito difícil dar nome a um trabalho instrumental, mas quando essa ideia surgiu foi prontamente aceita por nós, pois casou muito bem com as faixas e a atmosfera que o disco transmite.    

Aline: E a arte? Pelo que vi está sensacional!
Pedro Paulo: A arte foi desenvolvida pelo artista catarinense Rafael Panegelli, e representa um quarto sendo tomado por animais, plantas e um elemento feminino que simboliza a natureza. O Rafael se dedicou bastante a esse trabalho, buscou referências na sonoridade da banda as representou muito bem. Acho que resultado final não poderia ser melhor.

Aline: Vocês são de Panambi, que fica no interior do Rio Grande do Sul. Como vocês veem a cena independente no interior em relação às capitais? Já ouvi algumas bandas comentarem que no interior há maior espaço e receptividade pras bandas autorais que em capitais. Como é a experiência de vocês nesse sentido?
Pedro Paulo: Não tivemos a oportunidade de tocar nas capitais ainda. No interior existe um circuito bem estruturado com grandes festivais de música, esse circuito fomenta, de certa forma, a cena autoral. Nas casas noturnas e pubs do interior são raras e escassas as oportunidades, pois esses locais ainda dão preferência a tributos e bandas cover, infelizmente.  

Aline: Vocês tem alguma tour prevista para divulgação do álbum? Algum show aqui pelo Sudeste?
Pedro Paulo: Por enquanto estamos focados em concluir todas as demandas que envolvem o lançamento do disco e a entrega das recompensas do crowdfunding, mas algumas sondagens já começaram a surgir. Fiquem ligados, em breve teremos novidades! 

Aline: Hora do recadinho final. Alguma observação, mensagem ou recomendação para nossos leitores?
Pedro Paulo: Primeiramente gostaríamos de agradecer a você Aline, pela entrevista, e parabenizar a plataforma BDG pelo trabalho que estão desenvolvendo.
Ao leitores, amigos e seguidores da banda, esperamos que tenham ótimas experiências ao som de Paisagens e Delírios. Obrigado!  

Não percam o lançamento de Paisagens e Delírios sexta-feira, 22 de setembro, nas plataformas digitais e, enquanto isso, fiquem com um dos singles do disco para ter um amostrinha do que está por vir:

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